RUA DE SENTIDO MÚLTIPLO - A arte de (se) perder
Os Espacialistas
Os espacialistas no festival todos 2026 em arroios

Portugal

ARTISTAS

Os Espacialistas

Horário

13 set | 15h00

 

Local

Percurso por várias ruas da freguesia

Morada

Início: Mercado do Forno do Tijolo

Término: Campo dos Mártires da Pátria

Duração

2h.


Entrada livre, sujeita a inscrição prévia.


ESGOTADO


M/12

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ESGOTADO


Uma visita guiada e comentada, inesperada, aos halls de alguns edifícios de Arroios.

Imagina todas as pessoas do mundo juntas numa rua de sentido único sem nada saberem umas das outras. Sem poderem olhar-se reciprocamente nem tocarem-se entre si. Sem partilhar o corpo, os alimentos e os sonhos. Sem poderem sair do lugar onde estão. Não terem para onde ir nem algo para dizer. Sem histórias para contar nem lembranças por imaginar. Com medo umas das outras por causa do perigo de serem mal interpretadas e dispensadas.

Imagina todas as pessoas do mundo juntas numa rua de sentido único sem segredos, sem poderem viver daquilo que os outros não sabem delas. Sem poderem misturar-se nem imaginar- se entre si. Sem poderem ser vizinhas e espreitar para dentro do corpo e da casa de cada uma. Sem afectos a declarar. Todas juntas a exercitar o esquecimento definitivo e a cultivar mimeticamente o medo colectivo dos estranhos. Esgotadas de tanto pensar na melhor forma de serem desejadas, afogadas em tantas formas de se manifestarem cancelam os sentidos umas às outras e perdem a capacidade de andar. É fácil imaginar que tudo isto já está a acontecer...

Imagina agora, algumas pessoas do mundo juntas noutro tipo de rua, a andar de porta em porta, de casa em casa, a desejar entrar no hall de entrada do corpo e do espaço de cada uma, para aí deixarem cartas e mensagens a destinos desconhecidos. A escrever e a deixar frases nas paredes e nos muros abandonados da cidade onde não é proibido afixar cartazes com ideias de vida. Essas pessoas somos nós, as pessoas da Rua de Sentido Múltiplo, que vão andar por Arroios, de hall em hall de entrada, armadas em antropólogas do sentido quase perdido das relações humanas que outrora aí aconteciam nessas espécies de espaços de encontro do dia a dia. Com vontade de conhecer e imaginar as histórias da sua construção e ocupação, vamos reconhecer o capital que eram as palavras e os gestos de cada dia nesses umbrais excitantes de entrada e saída da vida, verdadeiras escolas do corpo comum, onde se aprendia a acenar amavelmente a chegada e a partida de quem nos vinha ver ou ainda estava porvir. Espaços de transição e correspondência onde arquitectura e arte ainda convivem e onde vizinhos, plantas e desconhecidos se apresentavam uns aos outros mesmo ali à porta do espaço.

Imaginemos então todas as pessoas do mundo juntas numa rua de sentido múltiplo a converter o tempo em espaço manifesto, a criar processos de espacialização do mundo e a consciencializar que cada ideia e experiência própria é uma ruína em construção carregada de promessas de futuro e afectos, e que conhecer qualquer coisa é compreender a sua animatografia, saber como traçar o lugar do corpo no mundo e saber como se perder nela.

Imaginemos todas as pessoas do mundo, juntas numa rua de sentido múltiplo a exercitar a arte de (se) perder à vista e descobrir que não é um mistério difícil de desvendar mas uma forma poética de vida andarilha, uma espécie de filosofia de proximidade entre todos os seres, vivos ou não.


imagine hall the peephole ...

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