A Santa Passageira, pelos olhos de Luís Aniceto

O TODOS é feito a muitas mãos. Sabem quem está por trás da montagem da exposição Engrácia, a Santa Passageira? Quem pendurou as lonas pesadas, suspensas em delicados fios de nylon, e garantiu que ficasse tudo direitinho, sem furar uma única parede? Quem adequou a iluminação disponível às fotografias em exposição?



Apresentamos o Luís Aniceto, responsável por esta tarefa trabalhosa, muito mais complexa do que parece. Licenciado em design industrial e fotógrafo de profissão, foi professor no Instituto Português de Fotografia, onde foi também responsável, durante dois anos, pela programação cultural. Entre inúmeros projetos pessoais, cofundou a ZONA Magazine e é um dos dois fotógrafos do projeto Lojas com História, da Câmara Municipal de Lisboa. O Luís é também um passageiro do Mundo. Reside em Turim desde janeiro e, ainda assim, viajou até ao TODOS para nos trazer, pelo segundo ano consecutivo, a mestria do seu trabalho. 



A nossa repórter Sofia Pancada esteve à conversa com ele na inauguração da exposição, para nos dar a conhecer o processo de montagem e a forma como o trabalho em equipa e a ajuda da comunidade foram fundamental:



“A minha responsabilidade é pensar como as imagens poderão ser expostas e realizar o trabalho. Quando tenho acesso às imagens, posso pensar um pouco melhor em alguma relação entre elas, mas é um trabalho de equipa. Por exemplo, o João Tuna apareceu cá enquanto estávamos a fazer as montagens e deu opinião de como o espaço dele poderia ser tratado. Foi um trabalho interessante e laborioso. Cada espaço dita as suas próprias regras. Por exemplo, aqui, no Museu da Água, era impossível furar paredes. Teve de se pensar no apoio das calhas de ferro que existem suspensas no ar. Inicialmente, tinha-se pensado em suspender as lonas com braçadeiras, mas vincavam muito o espaço, portanto optou-se pelos fios de nylon, que dava mais uma ideia de que as imagens pudessem estar a flutuar. Fazer com que as imagens tivessem uma horizontalidade e que todas elas estivessem ao mesmo nível foi difícil, mas com algum trabalho chegou-se a esse termo.



A minha experiência como fotógrafo profissional ajuda-me a pensar como é que as imagens poderão ser expostas. Obviamente, o trabalho é feito em correlação com o Henrique (curador), mas a minha experiência ajuda-me na medida em que tenho já uma bagagem de exposições que tenho visto, uma leitura das imagens, dos espaços e de como é que se podem coordenar de modo a enaltecer o trabalho de cada um dos autores.



Tivemos alguma dificuldade com a parede exterior onde estão as fotografias do Luís Pavão, na Rua do Alviela. Inicialmente, era para ser furada com um berbequim, para podermos pôr umas buchas e então suspender as imagens, para mais facilmente elas ficarem fixas e inclusivamente não voarem, mas havia uma condicionante: não haver extensões. Contudo, decidimos que não havia outra forma de fazer se não assim. Houve gente que nos deu acesso à casa para podermos ter eletricidade, fazer os furos e colocar essas imagens”.



Sobre a sua participação no TODOS, deixa-nos as seguintes palavras: “A colaboração tem sido ótima, tanto com o Miguel como com o Henrique, com quem tenho estado mais em diálogo. São pessoas bastante disponíveis, pessoas que atendem às minhas preocupações em termos de montagem e que têm ajudado para que as coisas possam correr o melhor possível. Acho que é um festival que faz todo o sentido nesta procura de uma Lisboa multicultural, uma Lisboa de aceitação da diferença, sobretudo nos tempos que correm. Espero que tenha uma longa vida”. 



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