Maestro de TODOS

Texto © Sarah Adamopoulos
Fotografia © Rosa Reis


Nascida em 2011, sendo então dirigida pelos maestros italianos Mario Tronco e Pino Pecorelli, a Orquestra TODOS apresentou-se pela primeira vez no Largo do Intendente. Emanação natural do espírito deste festival da cidade de Lisboa, na Orquestra TODOS cabem todos os músicos e todas as músicas, o que não deixa de ser espantoso – uma proeza, sem dúvida. Como é possível juntar tantas culturas e tão diversos percursos musicais e fazer algo que é bastante mais que uma fanfarra, ou que uma charanga – sem desprimor para esse tipo de formações, habitualmente dominadas pelos instrumentos de sopro e marcadas por uma razão de ser mais festiva que propriamente musical? É simples: com a ajuda – preciosa, inescapável – de um maestro de todos.


«Venho aqui também para aprender. Agradeço ao TODOS esta oportunidade e este prazer de poder trabalhar com estes músicos que tanto admiro.» Carlos Garcia, maestro da Orquestra TODOS



A história musical de Carlos Garcia (n. 1983), músico, compositor e professor (responsável por uma licenciatura de Música na Comunidade), parece fazer deste artista ecléctico e pedagogo da música um maestro também ele natural para uma orquestra tão fora do baralho. Desde cedo ligado a grupos musicais comunitários, Carlos Garcia começou por integrar uma banda filarmónica: um tipo de formação onde se pode aprender quase tudo sobre o que significa pertencer a uma comunidade e estar com os outros dessa comunidade para fazer música. Clarinetista, depois pianista, Garcia teve sempre um grande interesse pela harmonia e pela composição (o que explica que tenha inclusive já composto peças sacras para orquestra e coro), a que veio a acrescentar-se um conjunto de experiências com improvisação e novas sonoridades – experiências que muito ajudaram a enformar um tipo de personalidade musical vocacionada para a direcção artística de formações orquestrais não convencionais.


Com um percurso como instrumentista que vai da música pop à música erudita, passando pela música tradicional portuguesa, pelo fado, pela música africana, pela chamada música do Mundo, e ainda pelo jazz, Garcia tem tocado com muitos dos grandes nomes e projectos que habitam os palcos da música em Portugal. A sua abordagem à composição musical foi inicialmente motivada pela necessidade de fazer arranjos para grupos e projectos de música em que participava. Depois, quando começou a dar aulas de música, precisou também de escrever canções infantis e arranjos instrumentais para os seus pequenos alunos de escolas e orquestras juvenis. Foi assim que, com poucos recursos, pouca complexidade, muita recreação e muita criatividade, aprendeu a “fazer soar”. Um treino que parece ter sido fundamental para qualificá-lo agora para a aventura de pegar numa pequena grande orquestra, que não apenas é formada por músicos muito diferentes entre si como tem sido uma realidade em permanente mutação – também na quantidade de músicos, dependendo de quem ficou ou partiu, de quem entretanto chegou.


Para o concerto da noite de dia 19 de Setembro, na Igreja da Graça, a Orquestra TODOS, agora constituída por 14 músicos, sendo a grande maioria profissional – oriundos do Brasil, de Cabo Verde, de Itália, da Colômbia, da Índia, da Ucrânia, da Turquia, de Espanha, da Alemanha e de Portugal – contou ainda com a colaboração de Tiago Oliveira, guitarrista, que tem estado a trabalhar com Carlos Garcia nos arranjos. O repertório que vai apresentar celebra as diferentes identidades musicais dos seus elementos, com peças cujas sonoridades transportarão, inevitavelmente, as matrizes culturais de instrumentistas de outros lugares e culturas do Mundo. Um concerto de fusão, cheio de diferentes sabores musicais (alguns contemplativos, nem todos celebratórios), fruto improvável mas tão apetecido, talvez mais salgado que doce, da união multicultural de tantos diferentes que integram a comunidade alargada de músicos de Lisboa.

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